segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Diário Secreto de uma Mulher, de Sophie Morgan

Numa altura em que a literatura erótica tem cada vez mais leitoras, cabe-nos distinguir o recorrente do inédito. O Diário Secreto de uma Mulher obriga-nos a mergulhar, através de um relato verídico na primeira pessoa, no debate interior de uma Submissa.

Sophie é uma mulher inteligente, independente e sofisticada, uma jornalista determinada, cumpridora de prazos que tem controlo sobre tudo na sua vida, ou quase tudo…É que, apesar de fora da cama Sophie ser totalmente livre e desprendida, na cama é totalmente o oposto. Ela é uma submissa que nos mostra toda a dualidade da sua personalidade. 

Perante as humilhações mais violentas a que os seus companheiros (sempre dominadores) a sujeitam, ela sente raiva e desprezo, mas o seu corpo contradiz cada pensamento seu. O seu sexo húmido e receptivo expõe claramente o prazer que sente com as humilhações e agressões que sofre, mesmo que a sua mente lhe diga que ela não gosta de algo ou as suas nádegas estejam quase dilaceradas com tantas vergastadas. 

A dualidade presente em Sophie é visível no desejo de mandar “à fava” o dominador e ignorar cada ordem que recebe e a teimosia que não lhe permite desistir. Em cada página existe uma luta interior entre a voz na sua cabeça que lhe diz que não tem de se sujeitar a chupar os dedos dos pés de ninguém e a vontade de mostrar que consegue fazer o que é ordenado para agradar ao seu dominador, para que ele se apiede dela e lhe permita atingir o tão almejado orgasmo. 

As dores e as humilhações são tão fortes, que Sophie termina muitas vezes o encontro com o seu dominador a chorar baba e ranho, literalmente, mas também (quando lhe é permitido) a entregar-se à intensidade dos orgasmos que este tipo de práticas lhe provocam. 



Claro que a maior parte do livro é um discorrer de cenários típicos de uma relação D/s, no entanto, este livro prima pela diferença. Não é apenas um relato de uma relação entre um Dominador e uma submissa, mas de vivências pessoais e reais que vão contra tudo aquilo que a protagonista imagina que consegue suportar, fazendo-a perceber que é mais forte do que aquilo que pensa e que precisa desesperadamente daquele lado obscuro para sentir prazer. Para a narradora, ser submissa não é fazer apenas aquilo de que se gosta mas também ultrapassar os limites fazendo o que nunca imaginara ser capaz de fazer.

“Quando regressei à Terra como que saída de um transe, ainda a tremer devido à intensidade do que acontecera, ele estava a desapertar as calças e a aproximar-se de mim. Enfiou-se violentamente dentro de mim, colocando o seu peso sobre a minha vagina ainda palpitante, intumescida, pisada e dorida. Não consegui evitar um grito. Começou a foder-me, uma evocação cruel do ritmo da colher apenas uns minutos antes, uma sensação tão dolorosa e intensa que me arqueei debaixo dele, fazendo tudo o que podia para o afastar, o que, graças às algemas e à corda que me prendia os tornozelos, foi muito pouco.
Ele enfiou-se ainda mais dentro de mim e depois deteve-se por uns momentos. Prendeu as mãos no meu cabelo e beijou-me avidamente, e a seguir mordeu com força o meu lábio inferior até eu sentir sangue. Os dedos dele rodaram as molas presas aos meus mamilos, ajustando-as e apertando-as até me dar a impressão de que todo o meu corpo estava em chamas. Eu estava a soluçar, com lágrimas a escorrerem-me pelo rosto, e, quando recomeçou a foder-me sussurrou:
- Vieste-te à pancada 109 porque voltámos atrás quando te enganaste. Falhaste o teu prazo.
Por entre uma névoa de dor e de intenso prazer percebi exatamente o que aquilo significava. E tremi…”

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vidas #1


Elisabete, todos os Natais, arruma as trouxas dos pequenos e do marido e ruma com eles para Portalegre. Entre a casa da mãe e a casa da sogra, depois a dos tios e tias, que há um ano não se viam, os primos, que estão cada vez mais crescidos e graúdos, quase não há tempo para pensar em si. Fica-lhe um vazio que não entende, logo ela que tem tudo, saúde, um marido que a ajuda, dois filhos maravilhosos. 
Na altura das festas, dormindo todas as noites em camas diferentes, colchões que não lhe conhecem as formas generosas, que a todo custo tenta disfarçar, sente-se ainda mais sozinha. Uma vergonha invisível, catequese da mãe, impede-a de procurar o corpo que dorme ao seu lado. Tão pouco aquele corpo a continua a procurar. Escondida, de porta trancada, ousa, em algumas manhas de domingo, procurar um orgasmo que lhe liberte a raiva silenciosa. Mas ou é o João que bate à porta, ou os miúdos que gritam no quarto, guerrilhando por tudo e por nada, ou a mãe que telefona mais uma vez para saber da vida e se está tudo bem, e na maior parte das vezes nada mais consegue do que chorar um pouco.
Teve um namorado, antes do João, mas nunca passaram do sexo oral e da penetração com os dedos. Mas, mesmo sem que lhe tivesse sentido o sexo, os orgasmos eram constantes e intensos. A única coisa a que se lhe negara, tinha sido a engolir-lhe o sémen, coisa que ele ainda insistira duas ou três vezes, dizendo que era uma prova de amor. Vontade de experimentar, não lhe faltara, mas era nova, ingénua, e acreditava piamente que, se o fizesse, podia engravidar. Hoje ria de tamanha palermice, mas há quinze anos, pouco sabia da vida.
Negou a primeira vez ao Quim, porque queria casar virgem e tinha um medo terrível de engravidar. Seria amaldiçoada pela mãe e expulsa de casa pelo pai. Ardia em desejos e quando o Quim lhe mostrava os preservativos, quase se deixava ir até ao fim, permitindo que ele lhe roçasse o sexo duro nas virilhas e no clitóris. Mas as sombras dos pais, o cinto que tão bem conhecia, impediam-na sempre de se entregar totalmente. A pedir desculpas, entre algum choro e sorvedouro, afastava-se dele e tentava acalmar-se. Ele era gentil, não insistia mais e, suavemente, introduzia-lhe um dedo na vagina molhada e intumescida, depois outro e finalmente um terceiro.


[cont.]


   

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

As Cinquenta Sombras de Grey


Mesmo a calhar, com este frio, aí está o segundo trailer [de ficar a arder] do filme As Cinquenta Sombras de Grey.

Ora espreitem só.





O filme chega às salas de cinema no dia 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados.



O Quarto 31, brevemente, publicará a sua leitura sobre livro que serviu de base ao filme.