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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Literatura infantil

Era uma vez, num país distante, um Manel que tinha um carvalho e uma Maria que tinha uma cova. Manel queria a cova de Maria e Maria, mais recatada, dizia que talvez também quisesse o carvalho do Manel. O tempo foi passando, ambos se cobiçavam, entre encostos e sussurros, sempre que podiam. Um dia, Manuel apanhou Maria sozinha e, sem meias palavras,  disse-lhe que o carvalho dele se queria enterrar, a sua cova reflorestar. A principio Maria ficou sem jeito, riu-se, chamou-o tolo, mas quanto mais Manel se chegava, o carvalho a querer rebentar, mais a cova de Maria se alagava e parecia gostar. E, num turbilhão de sensações, passou Maria a gemer baixinho, que lho enterrasse todo, com jeitinho, que na cova era o primeiro. Que cova tão linda, repetia Manel, enquanto Maria, de olhos arregalados, apreciava a frondosa árvore, que à sua frente se erguia. Posso tocar-lhe? ela se atreveu. É teu, o meu carvalho, Manel respondeu. Tocou, abraçou, beijou, e a árvore cada vez maior, os veios mais salientes, onde a seiva parecia queimar. É melhor enterrá-lo agora, ou não me aguento e vai murchar. A súplica de Manel, de mãos no tronco viçoso, abriu um pouco mais a pequena cova de Maria, alagada em tamanhas necessidades, ansiando o que viria. E assim se deu o enterramento, carvalho ao alto, a cova tapada, Manel a uivar, Maria calada. 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pensamentos de uma mulher

Chega a casa exausta após mais um dia de trabalho na loja da patroa. Está tudo às escuras, tal como ela deixara quando saíra de casa atrasada e a correr. Acende a luz do quarto para pousar a mala e repara na gaveta entreaberta e no estimulador do Ponto G em cima da toalha que usou para se secar, exactamente onde ela o deixara  nessa manhã. Com a pressa, esquecera-se de o arrumar.
LELO® Tiani 3

Recorda como acordou  molhada e cheia de vontade de qualquer satisfação, depois do sonho inebriante que tivera. Lembra-se de abrir os olhos, esticar o braço para a gaveta do prazer, como lhe chamava em conversa com as amigas, e, desesperada, pegar no primeiro objecto em que tocou: o seu estimulador LELO® Tiani 3. Fechou os olhos para recordar vislumbres daquele sonho, tão recente, onde era tomada e possuída  pelo homem desconhecido que invadia os seus sonhos noite após noite. Colocou a parte mais fina o mais fundo que a sua urgência lhe permitiu e, deixando a parte mais grossa perfeitamente encaixada sobre o clitóris, alcançou rapidamente aquele ponto que exigia, com premência, o seu toque conhecedor. Contorceu-se debaixo dos lençóis, incendiando-se com a vibração que sentia directamente no Ponto G. Não aguentando mais, explodiu num orgasmo avassalador que lhe percorreu a espinha e fez encolher os dedos dos pés. Passada a turbulência,  levantou-se e levou o massageador para o banho, para relaxar nos minutos que ainda tinha antes de ter de correr para o trabalho.

Arruma o brinquedo na gaveta e dirige-se para a cozinha para fazer o jantar, enquanto pensa no quão bom foi chegar atrasada nesse dia.




Se quiserem o vosso próprio estimulador, podem comprá-lo na Cupido's Shop.

Beijos atrevidos...e tenham um óptimo acordar...

R&A

Mariquinhas, gingão, baloiçava as chaves na mão. 
O tempo passava-lhe ao lado, não havia lei municipal 
que lhe atrapalhasse o negócio, emparelhava viaturas 
ali para os lados do Cais do Sodré.  À noite, se a 
coisa rendia, visitava a Maria, prostituta roliça do 
quinto cê no cento e onze, lá para os lados da do Arsenal. 
Vinha-lhe o nome de outros tempos, num bate-boca 
com o Raul das Chagas, que Deus o tenha, morreu da 
branca, quando o cabrão lhe quis roubar a zona, 
Arrebento-te a tromba, meu maricas!, disse o gajo; 
Maricas és tu, meu filho da puta, que eu gosto é de cona!!
Mas da alcunha nunca mais se livrou, agora diz 
que até lhe tem carinho, destrôça, dona, p'ra num bater
não diga que o Mariquinhas não avisou.


domingo, 25 de janeiro de 2015

No ginásio #1



Ela chega ao balneário vazio e começa a despir-se sem qualquer pudor. Normalmente fica tímida em frente às outras raparigas, mas desta vez sente-se desinibida e provocante. Despe-se toda e fica nua, esperando que ninguém apareça e simultaneamente desejando, no mais íntimo de si, que apareça alguém. 
Veste a roupa de ginástica lentamente, observando as suas formas nos vários espelhos. Fez a depilação recentemente e o seu corpo não foi minimamente afectado pelos exageros do Natal. Sente-se sexy e lasciva. Precisa de direccionar a sua vontade para o treino ou vai arder de desejos insaciados. 
Vai para as máquinas tentando esquecer o calor que sente entre as pernas. Engana-se a si mesma, pois está tão sensível que até o toque das máquinas lhe incita a vontade. Desiste finalmente daquela tortura auto-imposta e volta para o balneário, sabendo que precisa de um duche frio para acalmar o calor que lhe percorre o corpo.

(continua...)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Vidas #2 (2)


[continuação]



Foi numa quinta-feira, pouco antes do Natal. O marido tinha ido ao Porto, juntamente com dois colaboradores, apresentar um projecto importante a uns investidores espanhóis. Não estaria em casa antes da meia-noite, como era hábito nessas ocasiões, mas ela não queria correr riscos desnecessários e decidiu como hora limite as dez da noite.
Passou o dia bem-disposta. Entre olhares e sorrisos cúmplices com o amante, trocou alguns telefonemas com o marido, sempre num tom carinhoso, coisa que já não fazia há muito tempo. Incentivava-o que ia correr tudo bem, que os espanhóis não eram loucos para não investirem naquele projecto, que o Filipinho tinha almoçado bem, já tinha ligado à mãe, e agora estava a dormir, e um beijinho e até logo. Ciente do seu espantoso sangue-frio, tinha encaixado a pergunta normalmente, o que te apetece para o jantar? ele hesitou e disse que o melhor era não contar com ele, em princípio, iria jantar pelo Porto. Touché! O que ela queria ouvir. Aventurou-se à proposta do Motel na estrada de Sintra, levantando o polegar ao olhar que a inquiria, duas mesas à sua esquerda, ainda o marido falava do trânsito infernal da A1, naquela manhã, uma gaja qualquer que tinha provocado um choque em cadeia, dizia em tom de desdém. 
No momento em que agarrou na bolsa e no casaco, já tinha ligado à mãe a dizer que ia chegar mais tarde, apetecia-lhe ir ao ginásio, mentiu, ainda se questionou se não seria melhor desistir, e se ele viesse mais cedo? as coisas já andavam tão tremidas... bem, podia sempre desculpar-se com o ginásio. O som de um sms dissipou-lhe os pensamentos, Estou a ir para lá, minha putinha. Até já. Estremeceu, numa onda invisível, as palavras, grossas como um pénis que lhe latejava na boca, apoderaram-se do baixo ventre. O clitóris intumesceu, como se dentro de si bombeasse um coração gigante. Os mamilos, ainda doridos da dentada que ele lhe tinha dado à hora de almoço, enrijeceram, novamente em busca daquela boca sôfrega de prazer. A decisão estava tomada.



[cont.]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Vidas #2

Tempos houve, em que os seus lábios tremiam de excitação, perante aquela boca travessa, que lhe sorria sempre que os olhos se cruzavam. 
Tinha comemorado os quatro anos de casamento em Maio; no berço, como esperado, dormia um pequeno Filipe, filho desejado, neto (único) adorado. Não se podia queixar da vida que levava, um marido que a mimava, dono de uma bonita conta bancária e que nunca se lhe negava a nenhum dos seus caprichos. Férias na Grécia, closet recheado, carro novo alemão. A vida tinha-se organizado, melhor ainda do que havia sonhado. Tinha sido o marido também, quem lhe tinha arranjado o emprego, numa das empresas sua cliente. De mera secretária de administração, passou a directora dos recursos humanos. Estava radiante. Sabia o efeito que produzia nos homens. Cabelos loiros, sempre cuidados, roupa atrevida, mas de boa qualidade, sapatos altos, nem que fosse para levar o cão a mijar. Mais de metade do trabalho, estava feito, depois bastava sorrir, ouvir sempre com atenção e  finalizar concordando. Julgou, por isso, que o sentimento que a unia ao marido fosse coisa para durar, interesses comuns, base sólida que não valia a pena lascar por algum engate com colaboradores ou paquetes de entregas. Continuava a flirtar-lhes os biceps e o fecho das calças, enquanto molhava os lábios sequiosos, se algum lhe alterava a respiração, mas segurava a ponta, pensando na boa vida que não queria perder, o salário acima dos dois mil e quinhentos, que ainda lhe parecia mentira.
Por tudo isso, não entendia como podia sentir-se tão cativa daquele homem. Presa por um olhar que tanto lhe prometia prazeres incalculáveis, quanto a desprezava simpaticamente, algo a que não estava habituada. Da excitação inicial, passou à total submissão e entrega. Inventava mil desculpas, para sair mais tarde, mil relatórios, para trabalhar aos sábados, mil reuniões no Porto, para dormir fora. Culpava-se pelo bebé, que a sua mãe cuidava, fazendo as suas vezes, arriscava nas mentiras, mas não conseguia parar. Habituada a vencer, aquela relação tomava-a com uma febre, roubava-lhe o discernimento, e, no escritório, os murmúrios aumentavam de tom. De dia para dia, aumentavam as piadas à sua passagem pelas secretárias.  Em casa, o clima era tenso. Vivia num medo permanente. Mantinha o telemóvel sem som, escondido no bolso, limpava o histórico do portátil, com uma precisão compulsiva. A muito custo se retraia, para não voltar ao vicio antigo de fumar. O marido, dirigia-lhe cada vez menos a palavra e sempre que a olhava, o rosto gelava. O mundo perfeito desmoronava-se. 

[cont.]

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vidas #1 (3)

[continuação]


Quando ouve as colegas do escritório, umas que fazem assim, outras fazem assado, algumas comem por fora, outras andam na internet, sente-se uma desnorteada, imprestável até para arranjar quem lhe mate a fome. Não conta às colegas que passa meses sem que as mãos do marido lhe procurem o corpo largo e que já foi tempo em que lhe sentia a língua, ávida pela sua língua, que minetes, nunca lhos tinha feito. Talvez tenha nojo. 
Quando, depois de deitar os miúdos, lhe nota algum gracejo mais tosco e ele lhe dá uma palmada no rabo, coisa que detesta, tal é o paternalismo, sabe que é o sinal. Desliga a televisão e vão juntos para a cama. Deitados, tudo não passa de um encosto por trás, meia dúzia de estocadas e um fraco resfolgar final. Para ela, é apenas um frete ocasional, que pela obrigação que julga ter, faz sem mostras de má-vontade. Não atinge o orgasmo, mas ele também não pergunta. As raras palavras que trocam, são sempre iguais, estás seca, ao que responde, desculpa. 
Que está seca, Elisabete sabe-o há muito. Não é apenas a vagina que se recusa a lubrificar-lhe o acto, tomando a carne que entra, com a dificuldade de quem se recusa a comer, são também os olhos que se recusam a olhar o corpo nu e as mãos que raramente lhe afagam a pele. Sente-se miseravelmente infeliz, mas não se queixa, como poderia, tem saúde, um marido que a ajuda e dois filhos maravilhosos. 






quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vidas #1 (2)

[continuação]


Mas um dia, apareceu-lhe uma prima afastada, à saída do autocarro, a chorar que nem uma criança, dizendo que lhe queria falar. Levou-a a um café, comprou-lhe uma garrafa de água e dispôs-se a ouvi-la. Cristina, assim se chamava a prima em terceiro grau, fanicava entre soluços, ora pedindo desculpas, ora dizendo que não tinha tido culpa. Contou-lhe então que se encontrava com o Quim às escondidas, tinha-se apaixonado por ele e que agora estava grávida. Elisabete sentiu que o chão lhe fugia dos pés e caía vertiginosamente num buraco sem fundo. Há quanto tempo, Cristina?, foi a única pergunta que lhe fez, Quase cinco meses... 
Amava o Quim, e agora que ambos tinham conseguido arranjar trabalho, ele já tinha a tropa feita, era óbvio que o próximo passo era casar. Lembra-se que deixou a prima a falar sozinha no café e caminhou sem rumo, durante mais de duas horas. À noite, quando o Quim lhe telefonou a dizer que estava a sair de casa para a ir buscar - tinham combinado ir ao cinema - gritou-lhe que já sabia de tudo e que nunca mais o queria ver. Passou dois meses a chorar pelos cantos e a ouvir da mãe a mesma lengalenga, ele não era homem para ti, Maria Elisabete. Até que um dia, num baile de domingo, onde tinha ido arrastada por uma amiga, conheceu o João, de cara séria e um metro e oitenta.

[cont.]




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vidas #1


Elisabete, todos os Natais, arruma as trouxas dos pequenos e do marido e ruma com eles para Portalegre. Entre a casa da mãe e a casa da sogra, depois a dos tios e tias, que há um ano não se viam, os primos, que estão cada vez mais crescidos e graúdos, quase não há tempo para pensar em si. Fica-lhe um vazio que não entende, logo ela que tem tudo, saúde, um marido que a ajuda, dois filhos maravilhosos. 
Na altura das festas, dormindo todas as noites em camas diferentes, colchões que não lhe conhecem as formas generosas, que a todo custo tenta disfarçar, sente-se ainda mais sozinha. Uma vergonha invisível, catequese da mãe, impede-a de procurar o corpo que dorme ao seu lado. Tão pouco aquele corpo a continua a procurar. Escondida, de porta trancada, ousa, em algumas manhas de domingo, procurar um orgasmo que lhe liberte a raiva silenciosa. Mas ou é o João que bate à porta, ou os miúdos que gritam no quarto, guerrilhando por tudo e por nada, ou a mãe que telefona mais uma vez para saber da vida e se está tudo bem, e na maior parte das vezes nada mais consegue do que chorar um pouco.
Teve um namorado, antes do João, mas nunca passaram do sexo oral e da penetração com os dedos. Mas, mesmo sem que lhe tivesse sentido o sexo, os orgasmos eram constantes e intensos. A única coisa a que se lhe negara, tinha sido a engolir-lhe o sémen, coisa que ele ainda insistira duas ou três vezes, dizendo que era uma prova de amor. Vontade de experimentar, não lhe faltara, mas era nova, ingénua, e acreditava piamente que, se o fizesse, podia engravidar. Hoje ria de tamanha palermice, mas há quinze anos, pouco sabia da vida.
Negou a primeira vez ao Quim, porque queria casar virgem e tinha um medo terrível de engravidar. Seria amaldiçoada pela mãe e expulsa de casa pelo pai. Ardia em desejos e quando o Quim lhe mostrava os preservativos, quase se deixava ir até ao fim, permitindo que ele lhe roçasse o sexo duro nas virilhas e no clitóris. Mas as sombras dos pais, o cinto que tão bem conhecia, impediam-na sempre de se entregar totalmente. A pedir desculpas, entre algum choro e sorvedouro, afastava-se dele e tentava acalmar-se. Ele era gentil, não insistia mais e, suavemente, introduzia-lhe um dedo na vagina molhada e intumescida, depois outro e finalmente um terceiro.


[cont.]